Ele fala:

Posted in Coisas bem legais... on 29 10 08 by guiroque

foto: http://ericconklin.com/images/holmes.jpg

“Você deve ter notado como os extremos se atraem, o espiritual o animal, o homem das cavernas o anjo.”

                                  

                                               (Sherlock Holmes)

 

Crônica: Chuva, chuva e eu.

Posted in Crônicas e umas historinhas aí... on 29 10 08 by guiroque

 

foto: http://img107.imageshack.us/img107/3489/justmorethanacandlebyemoleinap2.jpg

 

Chovia muito naquele mês. A cidade estava inundada. Enchentes, pessoas desesperadas em abrigos da prefeitura, deslizamentos e carros com água até a capota. Era o mês perfeito para ficar em casa, somente em casa.

 

Entretanto, era mais um dia de trabalho. Olhava para a minha mesa no escritório e só via papéis. Papéis de todos os tipos: memorandos, cartas e ofícios. Respirei fundo, sentei-me em frente à maquina e comecei a datilografar. A máquina de datilografar parecia ser a coisa mais moderna daquela repartição. O prédio estava caindo aos pedaços, as paredes mofadas e escuras, lâmpadas com mau contato e aquele cheiro insuportável de bolor.

 

Hora do almoço. O pessoal da repartição e eu fomos, como sempre, ao Farolete; um bar antigo lá do centro. Era o único lugar que o nosso dinheiro conseguia bancar e, para ajudar, o nosso vale-refeição não ajudava muito. Ele mais parecia um cômodo daquele escritório por também ser antigo e sujo. Cheirava a temperos fortes, as carnes e os embutidos ficavam pendurados no teto e os atendentes tinham aquela cara de sujeira combinando com os aventais manchados de gordura.

 

Almocei e quando olhei no relógio ainda faltavam quarenta minutos. Comer depressa e fumar são dois hábitos terríveis que eu tenho. Até tento me policiar, mas não consigo.

 

Como desabava água do céu, o jeito era acender um cigarro e ficar lá no balcão esperando dar a hora. Olhei para as ruas e só via pessoas ensopadas se escondendo em baixo dos toldos das lojas, os carros em um trânsito infernal, os ônibus lotados com passageiros se espremendo e a lembrança de que daqui a pouco teria que voltar ao trabalho me desanimava ainda mais.

 

Na hora de voltar, fui correndo até o prédio da repartição e entrei encharcado. Reclamações é o que não faltaram dentro da minha cabeça, como eu queria estar em casa, sossegado e livre deste compromisso diário.

 

Hoje sou aposentado. Vejo cada dia se passar e fico aqui na minha casa com minha inseparável revistinha de palavras cruzadas. Minha filha que cuida de mim não me permite fazer nada, ela diz que eu não posso me cansar.

 

Que saudade daquela época que eu trabalhava, tinha liberdade. Sinto saudades até das minhas reclamações nos dias de chuva. Aliás, a cidade não mudou nada, a chuva continua, e eu aqui olhando pela janela da sala.

Casa aqui da rua.

Posted in Uns poemas... on 28 10 08 by guiroque

 

A casa que eu quero cheira a pinho sol,

Tem jardim, varanda e cadeira de balanço,

Passo lá e só fico imaginando.

 

Pensando no casal de velhinhos que mora lá,

No chá que eles tomam às quatro da tarde,

E no cheiro do pinho sol que se espalha pela rua.

 

Hoje é difícil achar lugares assim.

Tudo está tão cinza, tão asfalto, tão frio,

Mas a casa que eu quero tem um sapo de cerâmica no jardim.

 

E lá é o lugar ideal: tranqüilo, tranqüilo.

 

                                  (Guilherme Roque)

Hospital…

Posted in Uns poemas... on 07 08 08 by guiroque

foto: http://www.coleradedeus.blogger.com.br/soro2.JPG

 

Cheiro de éter,

Álcool,

E algodão.

 

Macas enferrujadas,

Comida sem gosto,

Agulhas e injeções.

 

Soro

Gota a gota.

 

Gota

De soro.

 

A boca não sente,

O nariz não respira,

O corpo não vive.

 

Para o necrotério!

 

Corpo simplesmente gelado e guardado.

 

(Guilherme Roque)

Eita nóis!

Posted in Coisas bem legais... on 23 07 08 by guiroque

 

Outra vez com meus velhos e bons livros, achei isto aqui:

 

Obs.: A notícia é bem velha, mas garanto que é uma pérola inesquecível!

 

Eu vou prestar vestibular para Letras. Espero não cometer o mesmo erro!

 

TANTO FAZ

 

“Edmar Bacha tirou de letra o exame para professor titular da UFRJ. Só tropeçou ao falar “graus adicional”. Percebeu o erro e corrigiu para “Grais adicionais”. Ficou por isso. O exame não era mesmo de português.”

 

(Folha de S. Paulo, 29/6/93, Painel)

Cuidado com os morangos!

Posted in Coisas bem legais... on 23 07 08 by guiroque

 

Achei mais este texto aqui! Ainda bem que nunca gostei de morangos…

 

OS MORANGOS

 

A vizinha espiou por cima do muro.

 

– Bom dia, seu Agenor.

 

– Bom dia.

 

– Que lindos estão estes morangos, que maravilha.

 

– O senhor não colhe, seu Agenor? Estão no ponto.

 

– Não gosto de morangos.

 

– Que pena, aqui em casa somos todos loucos por morangos. As crianças então nem se diga. Se não colher vão apodrecer no pé, uma judiação.

 

– É.

 

– Se o senhor não se incomodasse eu colhia um pouco. Já que o senhor não gosta de morangos.

 

– Com licença, preciso pegar o ponto na repartição.

 

– À vontade seu Agenor. E os morangos?

 

– Não prestam para comer. Têm gosto de terra.

 

– Pena, tão lindos!

 

Saiu pra repartição. Voltou à noite. O luar batia em cheio no canteiro de morangos. Acercou-se em silêncio. Estavam bonitos mesmo. De dar água na boca. Pena que não pudesse comê-los.

 

Suspirou fundo.

 

Mariana, tão linda. Linda como uma flor. Mas tão desleixada, tão preguiçosa. Comida malfeita, roupa por lavar, pratos gordurosos. E aquele gênio! Sempre descontente, exigindo tudo o que não podia lhe dar, espezinhando-o diariamente pelo seu magro ordenado.

 

Fora realmente uma gentil idéia plantar os morangos depois que a enterrara no jardim.

 

(Giselda Laporta Nicolelis)

Igual a minha vó!

Posted in Coisas bem legais... on 12 07 08 by guiroque

 

foto: http://www.your-soul.com/archives/velha-balanco.gif

 

Este aqui me lembrou minha vó. Que maldade!

 

A LÍNGUA DO NHEM

 

Havia uma velhinha

que andava aborrecida

pois dava a sua vida

para conversar com alguém.

 

E estava sempre em casa

a boa da velhinha,

resmungando sozinha:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

 

                                                  (Cecília Meireles)