História: Meu pesadelo.

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 07 08 por guiroque

foto: http://larissalaira.blogspot.com/2007_05_20_archive.html

 

Aquele rosto! Tenho certeza! É ele! Lembro-me como se fosse hoje daquele maldito dia!

 

Há quinze anos…

 

Ia viajar para casa, fiquei três anos sem ver minha família. Minha mãe, com o dinheiro da indenização pela morte de meu pai, financiou minha estadia durante esse tempo em uma república próxima à Universidade onde me graduei.

 

Estava ansioso para ver minha família. Entretanto, hora infeliz a que resolvi voltar. Tudo começou naquela estação rodoviária. Minha passagem tinha sido comprada para o último horário, gostava de viajar à noite, me sentia melhor, parecia que passaria mais rápido e logo chegaria ao meu destino.

 

Antes de embarcar no ônibus decidi ir à lanchonete da estação e comprar algo para levar. Por que fui fazer isso? O pior erro da minha vida.

 

Quando estava a caminho, um sujeito pálido, magro como um esqueleto, os olhos fundos e negros e com o corpo todo envolto em um sobretudo preto esbarrou em mim e derrubou o copo de café na minha roupa. Que azar! E agora? Faltava menos de cinco minutos para o embarque e tinha que me trocar de roupa. Como resultado, perdi o ônibus.

 

Tive que dormir em um hotel desses de periferia e aguardar o dia seguinte para poder trocar minha passagem. Quando estava na fila do hotel para pegar as chaves do quarto onde me instalaria durante a noite, aquele mesmo homem que esbarrou em mim e derrubou o café me olhava atentamente, a impressão que tive era que ele me seguia com o olhar.

 

Era apavorante, parecia uma criatura ao invés de um humano. Aquele rosto… Nunca vou esquecer, somente o rosto era visível, e ainda assim era branco, chegando a parecer um fantasma, o resto do corpo, como ele usava um sobretudo escuro, parecia flutuar ao invés de andar. Um demônio! Era isso o que ele parecia!

 

Decidi me acalmar e, claro, trancar a porta do quarto. Pensei que tudo se resolveria no dia seguinte e logo estaria em casa. Me enganei! Meu pior pesadelo só estava por começar.

 

Não conseguia dormir, o estalar do relógio era a única coisa que ouvia. Virava de um lado, virava do outro, e nada do sono vir. Decidi me levantar e sentar-me próximo a janela para acender um cigarro, afinal, esse vício era a única coisa que me acalmava.

 

De repente, lá estava ele. Do lado de fora, olhando em direção ao meu quarto incessantemente, e quando me viu soltou um sorriso ardiloso, maléfico. Aquilo foi assustador! Imediatamente fechei as cortinas e, apavorado, acendi a luz. Quando olhei de novo na janela ele havia sumido.

 

Dormi. Não sei como, mas depois daquilo dormi. No dia seguinte, quando acordei e fui à rodoviária para tentar trocar o bilhete, uma multidão de pessoas havia tomado conta daquele espaço, estava impossível andar por ali, vi também repórteres transitando em tudo quanto era lado. O que diabos estava acontecendo ali?

 

Um guarda me informou que o último ônibus que partiu ontem sofreu um acidente no meio da estrada e que todos os passageiros e o motorista morreram carbonizados.

 

Um arrepio me percorreu a espinha, foi uma sensação horrível. Fiquei apavorado, eu ia embarcar naquele ônibus! Meu Deus! O que estava acontecendo?

 

Quando me recuperei do choque, pelo menos naquela hora, olhei para frente e encostado na pilastra estava ele, estático e rindo, gargalhando. Aquele mesmo homem que me vigiou à noite estava ali, parecendo se divertir com meu medo. Sua expressão mudara completamente. O olhar vago e fundo deu espaço a olhos cruéis, impiedosos, satânicos. Sua gargalhada me assustava, era um riso irônico, sarcástico, cruel.

 

Decidi andar depressa. Ele veio em minha direção e ao passar do meu lado simplesmente sussurrou: “Não era sua hora. A próxima vez que nos vermos você virá comigo”.

 

Depois disso, não há uma noite em que consigo dormir. Todas as noites a lembrança daquele riso e daqueles olhos me vêem a mente. Tenho estado perturbado durante esses quinze anos. Morrendo de medo de ver aquele sujeito novamente na minha frente.

 

Nada adianta! Milhares de vezes já fui à igreja, viajei novamente e nada. É horrível, tenho medo. Medo de ver aquele desgraçado novamente e saber que meu fim está próximo.

 

Pois hoje ele voltou. Dessa vez pior. Ria incessantemente de mim! Aquele riso me atormentou durante quinze anos e agora ele estava lá de novo, gargalhando e me vigiando. Novamente, quando acordei durante a noite para beber água, avisto pela janela da cozinha e lá esta ele no fundo da casa me observando.

 

Meu desespero aumentou e meu medo também! Será meu fim?! E agora?!

 

Ele cada dia que passa me atormenta mais e mais. Estou ficando louco! Não agüento mais! É um demônio! Só pode ser isso!

 

Aquele rosto é inconfundível, inconfundível!… Chegou a minha hora…

Crônica: Aproveite cada instante!

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 07 08 por guiroque

 

Mais um dia, mais uma vez. Lá estava minha família toda reunida naqueles almoços de domingo. Era uma beleza. No domingo era uma festa só.

 

Coca-cola à vontade, podíamos repetir a lasanha, umas duas taças de sorvete, depois uma partidinha de vídeo- game, e o que não podia faltar: o joguinho de dominó entre os mais velhos da casa.

 

A alegria era realmente no domingo. Tinha manhã que íamos aos parques, no Zoológico, no Simba–Safári, nos Museus, no sítio do meu tio no Arujá. Que saudade daquela época!

 

Ano após ano a alegria era a mesma. Também tinha os natais em que visitávamos os parentes e levávamos a tradicional combinação: Panettone com uma garrafa de Sidra. Tudo bem que toda a parentada dava e recebia Panettone e Sidra, mas o que realmente valia era o espírito de família.

 

Pena que tudo isso foi se acabando. Uns cresceram, uns morreram, outros foram morar longe, uns brigaram, não é mais a mesma coisa. O cheiro das festas, o gosto, a expectativa… Tudo agora é diferente.

 

É… Os momentos mais felizes são aqueles que não voltam mais!

Mexendo em uns livros…

Postado em Coisas bem legais... em 09 07 08 por guiroque

 

foto: capa de ’O livro da avó’ de Luís Silva

 

Revirando alguns livros velhos, encontrei este texto. Eu gostei.

 

A AVÓ

 

A avó tem cabelos muito brancos, curtos e lisos. Pouco cabelo. A pele é toda enrugada. Parece que já está virando árvore. O corpo também é pequeno. Ela toda parece um pássaro. Usa um xale de renda na cabeça e nas mãos carrega sempre um livro sagrado e cheiro de cebola. Tem passos miúdos. Às vezes parece orvalho. Já está quase desaparecendo, dá pra notar. Os olhos pousados em coisas distantes, invisíveis navios, alguma terra do lado de lá?

 

                                              (Roseana K. Murray, Retratos)

Tudo vai passando…

Postado em Uns poemas... em 09 07 08 por guiroque

foto: http://devocionalcristao.blogspot.com/2008_03_01_archive.html

 

Passa a hora,

Passa o ano,

Passa a vida.

 

Aqui hoje,

Lá amanhã,

Em baixo da terra depois.

 

Você já foi jovem,

Hoje fica na sua cadeira de balanço,

Para você ver como a vida passa.

 

E qual é o destino comum a todos nós?

A morte!

Não adianta, você terá o mesmo fim que eu.

                                    

                                 (Guilherme Roque)

Muito interessante!

Postado em Coisas bem legais... em 27 06 08 por guiroque

foto: http://www.joaobarcelos.com.br/casa_branca.jpg

 

 

Nunca me esqueci deste texto. O li pela primeira vez quando estava na quinta série. Guardo-o comigo até hoje. Excelente!

O VENENO

Estranha é a cabeça das pessoas.

 

Uma vez, em São Paulo, morei numa rua que era dominada por uma árvore incrível, um ipê amarelo. Na época de floração, ela enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum, ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores, esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto, do concreto, do cimento, os elementos característicos desta cidade. Percebi certo dia que a árvore começava a morrer. Secava lentamente, até que amanheceu inerte, sem uma folha. É um ciclo, ela renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore, e o técnico concluiu: fora envenenada. Surpresos, nós, os moradores da rua, que tínhamos na árvore um verdadeiro símbolo, começamos a nos lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador. Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos e irritados:

 

- Matei mesmo essa maldita árvore.

 

- Por quê?

 

- Por que na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas.

 

Um choque, espanto.

 

                   

  (Ignácio de Loyola Brandão, Manifesto Verde)

Um poema policial…

Postado em Uns poemas... em 27 06 08 por guiroque

foto: http://www.helderdarocha.com.br/literatura/poe/dore7.jpg

  

Um dos casos,

Seja crime ou não,

Está aqui na minha mão.

 

Começo a escrevê-lo,

Paro e penso:

E agora? O que eu faço?

 

Mudo o fim?

Começo de novo?

E agora? Preciso solucionar isso já!

 

O frio de Londres,

Uma xícara de chá bem quente,

Um envenenamento ou um acidente?

 

Que tal um tiro?

Quem sabe uma tortura?

Ou talvez a loucura?

 

Suicídio? Não, comum demais!

Ambição? Também não!

É isso: sua morte será meu livro!

 

                                    (Guilherme Roque)

Medalhas!

Postado em Listas e tal... em 27 06 08 por guiroque

 

As mais gatas na minha humilde opinião:

 

Ouro – JÉSSICA ALBA

 

Sempre foi e sempre será dela! A mais linda e perfeita!

 

 

foto: http://beijotchau.files.wordpress.com/2007/09/jessica_alba2.jpg

  

Prata – ANNE HATHAWAY

 

Nossa! Demais também! Muito gata!

 

 

foto: http://i99.photobucket.com/albums/l283/silviaxpto/Anne_Hathaway_016.jpg

  

Bronze – SAMARA FELIPPO

Além de ser uma excelente atriz, ela é sensacional!

foto: http://ego.globo.com/Entretenimento/Ego/foto/0,,10813685-EX,00.jpg

 

 

História: Minha prova de amor.

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 25 06 08 por guiroque

foto: http://i70.photobucket.com/albums/i110/felizes/diario_de_um_paroco.jpg

 

Fazia de tudo por ela. Se fosse preciso buscaria a lua por aquela mulher. O sol, as estrelas, o mar, o universo, nada me importava. Sua presença era o que bastava para me aquecer e me alegrar. Meu pensamento estava fadado para sempre naquele lindo sorriso, nos cabelos macios e sedosos e no perfume doce e suave da minha amada.

 

Mas eu errei. Para mim foi uma prioridade, uma obsessão de sempre colocá-la em primeiro plano na minha vida, de sempre pensar nela, de sempre agradá-la, de querer ficar ao lado daquela que era minha razão de existir.

 

Tudo foi em vão.

 

Ela simplesmente disse que não queria mais e para eu tentar ser feliz. Foi o fim! Por quê?! Por quê?! Fiz de tudo por ela. Dedicava-me ao máximo para ter a felicidade e o bem-estar da minha amada mesmo que custasse o meu bem-estar, a minha família, os meus amigos, a minha vida! Abdiquei o mundo só para viver em função daquela que era meu norte, minha existência!

 

Tudo perdido! Solidão, medo, angústia, depressão, saudade, loucura, obsessão. Ela destruiu a minha vida. Não tenho mais nenhum motivo para estar aqui. Eu quero o amor dela de volta! Eu preciso!

 

O tempo passou, ela se casou com outro e a única forma de esquecer todo o sofrimento que se instalava em mim era colocar um fim nisso! A solução estava na minha casa, guardada em uma gaveta qualquer.

 

Tentei mais uma vez, mas ao simplesmente olhá-la de longe sentia que ela estava feliz com seu marido. Muito mais feliz do que era comigo. Um sorriso mil vezes mais belo, mais amoroso, mais sincero do que quando ela estava ao meu lado. Por quê?!

 

Não adianta. Nunca mais a terei em meus braços, nunca mais poderei protegê-la, beijá-la, acariciá-la com toda a ternura do mundo. Tudo isso era só um desejo que jamais se realizaria.

 

Decidi! Basta! Não quero presenciar a cada dia os sorrisos que saem da boca que eu mais quero beijar, sendo que não sou mais o homem que pode tê-la nos braços. Qualquer coisa era melhor do que ver outro se aproximando da minha amada, tomando-a nos braços e a protegendo. Isso é o que eu quero fazer! Não! Ele não pode! Tem que ser eu! Eu!

 

Matei-o! Vitória!

 

Maldito! Você poderia ter tomado tudo de mim, tudo! Minha família, meu dinheiro, meus amigos, tudo! Mas ela não! Ela é minha! Minha!

 

Foi bom ver o sangue daquele infeliz escorrendo garganta abaixo. Estava satisfeito. Agora ela era só minha, minha e de mais ninguém. Nós não precisamos de mais nada. Somente um do outro. Eu quero esquecer minha vida, preciso somente dela, nada mais importa.

 

Outra vez fui castigado. Por que tanta desgraça para mim?! O que eu fiz?! Matei?! Sim, mas mataria quantas vezes fossem necessárias somente para tê-la comigo. Eu não ligo. Podem me condenar, não importa. O que me importa é só o amor dela. Só isso! Nem minha vida me importa, só ela! Ela!

 

Contei que matei aquele desgraçado para livrá-la daquela união forçada e que agora poderíamos ser felizes. Ela me rejeitou, me ofendeu, disse que não me amava e que antes até tinha um carinho por mim, mas agora tudo o que sente ao me ver é ódio, asco, raiva.

 

Não! Não podia estar acontecendo! Aquelas palavras estavam carregadas com amargura, repulsa e nojo. Tentei beijá-la. Era só uma confusão, tinha certeza, iria passar. O verdadeiro amor dela sou eu! Eu sei que ela só está confusa, só isso. Eu entendo. Mas ela vai me amar. Vai me amar! Tem que me amar!

 

Um beijo. Era só disso que ela precisava para saber definitivamente que quem a merece de verdade sou eu. Ela fugiu, se esquivou. Ofendia-me, me dizia palavras que nunca poderia imaginar.

 

Não adiantava. Eu tentei! Tentei de todas as formas abrir seus olhos, guiá-los para a verdade: que sou eu o verdadeiro amor dela!

 

Não suportava mais! É melhor acabar com isso de uma vez! Não há por que viver senão for com ela. Ela e eu precisávamos descansar eternamente. É isso o que eu vou fazer! Vou lhe dar a minha maior prova de amor! Mostrar que o que sinto por ela ultrapassa os limites dessa vida banal, insípida.

 

Matei-a! Aquele sangue doce e vermelho jorrava de seu peito. Mas não importa! Nossas almas vão estar juntas para sempre. Tinha apontado para o coração e puxei o gatilho. A dor não importava. Só a imagem do corpo da minha amada à espera do meu! Enfim estávamos juntos!

 

Peguei-a no colo e a levei para casa. Ela finalmente é minha! Minha maior prova de amor. Eu te amo querida. Para todo o sempre.

Por que ter medo? Ela virá de qualquer jeito.

Postado em Uns poemas... em 24 06 08 por guiroque

foto: http://www.anjo-da-morte.blogger.com.br/Rosa%20Negra.JPG

 

Insônia,

Insônia,

E mais insônia.

 

Sem sono,

Cansado,

Angustiado.

 

Lendo,

Escrevendo,

Pensando…

 

Que horas são?

Hora da minha ilusão.

E agora?

A morte já está na minha porta.

 

É o fim?

Talvez sim talvez não…

 

                       (Guilherme Roque)

 

Jéssica Alba!

Postado em Coisas bem legais... em 24 06 08 por guiroque

foto: http://nuvensdaalma.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

 

Jéssica Alba!

 

Não precisa falar mais nada né não?!

 

Simplesmente A MELHOR!