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Crônica: Chuva, chuva e eu.

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 29 10 08 por guiroque

 

foto: http://img107.imageshack.us/img107/3489/justmorethanacandlebyemoleinap2.jpg

 

Chovia muito naquele mês. A cidade estava inundada. Enchentes, pessoas desesperadas em abrigos da prefeitura, deslizamentos e carros com água até a capota. Era o mês perfeito para ficar em casa, somente em casa.

 

Entretanto, era mais um dia de trabalho. Olhava para a minha mesa no escritório e só via papéis. Papéis de todos os tipos: memorandos, cartas e ofícios. Respirei fundo, sentei-me em frente à maquina e comecei a datilografar. A máquina de datilografar parecia ser a coisa mais moderna daquela repartição. O prédio estava caindo aos pedaços, as paredes mofadas e escuras, lâmpadas com mau contato e aquele cheiro insuportável de bolor.

 

Hora do almoço. O pessoal da repartição e eu fomos, como sempre, ao Farolete; um bar antigo lá do centro. Era o único lugar que o nosso dinheiro conseguia bancar e, para ajudar, o nosso vale-refeição não ajudava muito. Ele mais parecia um cômodo daquele escritório por também ser antigo e sujo. Cheirava a temperos fortes, as carnes e os embutidos ficavam pendurados no teto e os atendentes tinham aquela cara de sujeira combinando com os aventais manchados de gordura.

 

Almocei e quando olhei no relógio ainda faltavam quarenta minutos. Comer depressa e fumar são dois hábitos terríveis que eu tenho. Até tento me policiar, mas não consigo.

 

Como desabava água do céu, o jeito era acender um cigarro e ficar lá no balcão esperando dar a hora. Olhei para as ruas e só via pessoas ensopadas se escondendo em baixo dos toldos das lojas, os carros em um trânsito infernal, os ônibus lotados com passageiros se espremendo e a lembrança de que daqui a pouco teria que voltar ao trabalho me desanimava ainda mais.

 

Na hora de voltar, fui correndo até o prédio da repartição e entrei encharcado. Reclamações é o que não faltaram dentro da minha cabeça, como eu queria estar em casa, sossegado e livre deste compromisso diário.

 

Hoje sou aposentado. Vejo cada dia se passar e fico aqui na minha casa com minha inseparável revistinha de palavras cruzadas. Minha filha que cuida de mim não me permite fazer nada, ela diz que eu não posso me cansar.

 

Que saudade daquela época que eu trabalhava, tinha liberdade. Sinto saudades até das minhas reclamações nos dias de chuva. Aliás, a cidade não mudou nada, a chuva continua, e eu aqui olhando pela janela da sala.

História: Meu pesadelo.

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 07 08 por guiroque

foto: http://larissalaira.blogspot.com/2007_05_20_archive.html

 

Aquele rosto! Tenho certeza! É ele! Lembro-me como se fosse hoje daquele maldito dia!

 

Há quinze anos…

 

Ia viajar para casa, fiquei três anos sem ver minha família. Minha mãe, com o dinheiro da indenização pela morte de meu pai, financiou minha estadia durante esse tempo em uma república próxima à Universidade onde me graduei.

 

Estava ansioso para ver minha família. Entretanto, hora infeliz a que resolvi voltar. Tudo começou naquela estação rodoviária. Minha passagem tinha sido comprada para o último horário, gostava de viajar à noite, me sentia melhor, parecia que passaria mais rápido e logo chegaria ao meu destino.

 

Antes de embarcar no ônibus decidi ir à lanchonete da estação e comprar algo para levar. Por que fui fazer isso? O pior erro da minha vida.

 

Quando estava a caminho, um sujeito pálido, magro como um esqueleto, os olhos fundos e negros e com o corpo todo envolto em um sobretudo preto esbarrou em mim e derrubou o copo de café na minha roupa. Que azar! E agora? Faltava menos de cinco minutos para o embarque e tinha que me trocar de roupa. Como resultado, perdi o ônibus.

 

Tive que dormir em um hotel desses de periferia e aguardar o dia seguinte para poder trocar minha passagem. Quando estava na fila do hotel para pegar as chaves do quarto onde me instalaria durante a noite, aquele mesmo homem que esbarrou em mim e derrubou o café me olhava atentamente, a impressão que tive era que ele me seguia com o olhar.

 

Era apavorante, parecia uma criatura ao invés de um humano. Aquele rosto… Nunca vou esquecer, somente o rosto era visível, e ainda assim era branco, chegando a parecer um fantasma, o resto do corpo, como ele usava um sobretudo escuro, parecia flutuar ao invés de andar. Um demônio! Era isso o que ele parecia!

 

Decidi me acalmar e, claro, trancar a porta do quarto. Pensei que tudo se resolveria no dia seguinte e logo estaria em casa. Me enganei! Meu pior pesadelo só estava por começar.

 

Não conseguia dormir, o estalar do relógio era a única coisa que ouvia. Virava de um lado, virava do outro, e nada do sono vir. Decidi me levantar e sentar-me próximo a janela para acender um cigarro, afinal, esse vício era a única coisa que me acalmava.

 

De repente, lá estava ele. Do lado de fora, olhando em direção ao meu quarto incessantemente, e quando me viu soltou um sorriso ardiloso, maléfico. Aquilo foi assustador! Imediatamente fechei as cortinas e, apavorado, acendi a luz. Quando olhei de novo na janela ele havia sumido.

 

Dormi. Não sei como, mas depois daquilo dormi. No dia seguinte, quando acordei e fui à rodoviária para tentar trocar o bilhete, uma multidão de pessoas havia tomado conta daquele espaço, estava impossível andar por ali, vi também repórteres transitando em tudo quanto era lado. O que diabos estava acontecendo ali?

 

Um guarda me informou que o último ônibus que partiu ontem sofreu um acidente no meio da estrada e que todos os passageiros e o motorista morreram carbonizados.

 

Um arrepio me percorreu a espinha, foi uma sensação horrível. Fiquei apavorado, eu ia embarcar naquele ônibus! Meu Deus! O que estava acontecendo?

 

Quando me recuperei do choque, pelo menos naquela hora, olhei para frente e encostado na pilastra estava ele, estático e rindo, gargalhando. Aquele mesmo homem que me vigiou à noite estava ali, parecendo se divertir com meu medo. Sua expressão mudara completamente. O olhar vago e fundo deu espaço a olhos cruéis, impiedosos, satânicos. Sua gargalhada me assustava, era um riso irônico, sarcástico, cruel.

 

Decidi andar depressa. Ele veio em minha direção e ao passar do meu lado simplesmente sussurrou: “Não era sua hora. A próxima vez que nos vermos você virá comigo”.

 

Depois disso, não há uma noite em que consigo dormir. Todas as noites a lembrança daquele riso e daqueles olhos me vêem a mente. Tenho estado perturbado durante esses quinze anos. Morrendo de medo de ver aquele sujeito novamente na minha frente.

 

Nada adianta! Milhares de vezes já fui à igreja, viajei novamente e nada. É horrível, tenho medo. Medo de ver aquele desgraçado novamente e saber que meu fim está próximo.

 

Pois hoje ele voltou. Dessa vez pior. Ria incessantemente de mim! Aquele riso me atormentou durante quinze anos e agora ele estava lá de novo, gargalhando e me vigiando. Novamente, quando acordei durante a noite para beber água, avisto pela janela da cozinha e lá esta ele no fundo da casa me observando.

 

Meu desespero aumentou e meu medo também! Será meu fim?! E agora?!

 

Ele cada dia que passa me atormenta mais e mais. Estou ficando louco! Não agüento mais! É um demônio! Só pode ser isso!

 

Aquele rosto é inconfundível, inconfundível!… Chegou a minha hora…

Crônica: Aproveite cada instante!

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 07 08 por guiroque

 

Mais um dia, mais uma vez. Lá estava minha família toda reunida naqueles almoços de domingo. Era uma beleza. No domingo era uma festa só.

 

Coca-cola à vontade, podíamos repetir a lasanha, umas duas taças de sorvete, depois uma partidinha de vídeo- game, e o que não podia faltar: o joguinho de dominó entre os mais velhos da casa.

 

A alegria era realmente no domingo. Tinha manhã que íamos aos parques, no Zoológico, no Simba–Safári, nos Museus, no sítio do meu tio no Arujá. Que saudade daquela época!

 

Ano após ano a alegria era a mesma. Também tinha os natais em que visitávamos os parentes e levávamos a tradicional combinação: Panettone com uma garrafa de Sidra. Tudo bem que toda a parentada dava e recebia Panettone e Sidra, mas o que realmente valia era o espírito de família.

 

Pena que tudo isso foi se acabando. Uns cresceram, uns morreram, outros foram morar longe, uns brigaram, não é mais a mesma coisa. O cheiro das festas, o gosto, a expectativa… Tudo agora é diferente.

 

É… Os momentos mais felizes são aqueles que não voltam mais!

História: Minha prova de amor.

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 25 06 08 por guiroque

foto: http://i70.photobucket.com/albums/i110/felizes/diario_de_um_paroco.jpg

 

Fazia de tudo por ela. Se fosse preciso buscaria a lua por aquela mulher. O sol, as estrelas, o mar, o universo, nada me importava. Sua presença era o que bastava para me aquecer e me alegrar. Meu pensamento estava fadado para sempre naquele lindo sorriso, nos cabelos macios e sedosos e no perfume doce e suave da minha amada.

 

Mas eu errei. Para mim foi uma prioridade, uma obsessão de sempre colocá-la em primeiro plano na minha vida, de sempre pensar nela, de sempre agradá-la, de querer ficar ao lado daquela que era minha razão de existir.

 

Tudo foi em vão.

 

Ela simplesmente disse que não queria mais e para eu tentar ser feliz. Foi o fim! Por quê?! Por quê?! Fiz de tudo por ela. Dedicava-me ao máximo para ter a felicidade e o bem-estar da minha amada mesmo que custasse o meu bem-estar, a minha família, os meus amigos, a minha vida! Abdiquei o mundo só para viver em função daquela que era meu norte, minha existência!

 

Tudo perdido! Solidão, medo, angústia, depressão, saudade, loucura, obsessão. Ela destruiu a minha vida. Não tenho mais nenhum motivo para estar aqui. Eu quero o amor dela de volta! Eu preciso!

 

O tempo passou, ela se casou com outro e a única forma de esquecer todo o sofrimento que se instalava em mim era colocar um fim nisso! A solução estava na minha casa, guardada em uma gaveta qualquer.

 

Tentei mais uma vez, mas ao simplesmente olhá-la de longe sentia que ela estava feliz com seu marido. Muito mais feliz do que era comigo. Um sorriso mil vezes mais belo, mais amoroso, mais sincero do que quando ela estava ao meu lado. Por quê?!

 

Não adianta. Nunca mais a terei em meus braços, nunca mais poderei protegê-la, beijá-la, acariciá-la com toda a ternura do mundo. Tudo isso era só um desejo que jamais se realizaria.

 

Decidi! Basta! Não quero presenciar a cada dia os sorrisos que saem da boca que eu mais quero beijar, sendo que não sou mais o homem que pode tê-la nos braços. Qualquer coisa era melhor do que ver outro se aproximando da minha amada, tomando-a nos braços e a protegendo. Isso é o que eu quero fazer! Não! Ele não pode! Tem que ser eu! Eu!

 

Matei-o! Vitória!

 

Maldito! Você poderia ter tomado tudo de mim, tudo! Minha família, meu dinheiro, meus amigos, tudo! Mas ela não! Ela é minha! Minha!

 

Foi bom ver o sangue daquele infeliz escorrendo garganta abaixo. Estava satisfeito. Agora ela era só minha, minha e de mais ninguém. Nós não precisamos de mais nada. Somente um do outro. Eu quero esquecer minha vida, preciso somente dela, nada mais importa.

 

Outra vez fui castigado. Por que tanta desgraça para mim?! O que eu fiz?! Matei?! Sim, mas mataria quantas vezes fossem necessárias somente para tê-la comigo. Eu não ligo. Podem me condenar, não importa. O que me importa é só o amor dela. Só isso! Nem minha vida me importa, só ela! Ela!

 

Contei que matei aquele desgraçado para livrá-la daquela união forçada e que agora poderíamos ser felizes. Ela me rejeitou, me ofendeu, disse que não me amava e que antes até tinha um carinho por mim, mas agora tudo o que sente ao me ver é ódio, asco, raiva.

 

Não! Não podia estar acontecendo! Aquelas palavras estavam carregadas com amargura, repulsa e nojo. Tentei beijá-la. Era só uma confusão, tinha certeza, iria passar. O verdadeiro amor dela sou eu! Eu sei que ela só está confusa, só isso. Eu entendo. Mas ela vai me amar. Vai me amar! Tem que me amar!

 

Um beijo. Era só disso que ela precisava para saber definitivamente que quem a merece de verdade sou eu. Ela fugiu, se esquivou. Ofendia-me, me dizia palavras que nunca poderia imaginar.

 

Não adiantava. Eu tentei! Tentei de todas as formas abrir seus olhos, guiá-los para a verdade: que sou eu o verdadeiro amor dela!

 

Não suportava mais! É melhor acabar com isso de uma vez! Não há por que viver senão for com ela. Ela e eu precisávamos descansar eternamente. É isso o que eu vou fazer! Vou lhe dar a minha maior prova de amor! Mostrar que o que sinto por ela ultrapassa os limites dessa vida banal, insípida.

 

Matei-a! Aquele sangue doce e vermelho jorrava de seu peito. Mas não importa! Nossas almas vão estar juntas para sempre. Tinha apontado para o coração e puxei o gatilho. A dor não importava. Só a imagem do corpo da minha amada à espera do meu! Enfim estávamos juntos!

 

Peguei-a no colo e a levei para casa. Ela finalmente é minha! Minha maior prova de amor. Eu te amo querida. Para todo o sempre.

Crônica: Meio perdido?

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 16 06 08 por guiroque

foto: http://michelccc.files.wordpress.com/2008/03/perdido.jpg

 

“Essa vida é um problema!”, “Mas sem problemas a vida não teria graça!”, essas são palavras de uma tia minha.

 

Às vezes paro e penso nisso que ela fala. E não é que ela tem razão! O que seria da vida sem problemas? Sem angústias? Sem ansiedades? Acho que nada. Assim não teria a mínima graça. Seria sem tempero.

 

Aproveitar as coisas boas que surgem é uma grande habilidade! Reclamar de tudo é uma característica humana!

 

E agora?!… Ser feliz com o que tenho? Ou reclamar do que não tenho?

 

Dúvida cruel não é?! Mas prefiro aproveitar o que tenho. Melhor do que ficar perdido!

Crônica: Nem tudo está perdido!

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 06 08 por guiroque

foto: http://www.100perdao.com.br/imagens/0706C2007.jpg

 

Muitas vezes pensamos que as crianças de hoje já não sabem o sentido de brincar, de se divertir de verdade, de realmente ser criança. Aliás, quem diz isso são pessoas mais velhas.

 

Joãozinho, um menino de seis anos (tinha que ser esse nome?! Que original!) chegou da escola e como sempre subiu ao quarto, tomou banho, se trocou e desceu para o almoço. Sua mãe sempre o educou de uma maneira exemplar, nada de falhas. Entretanto, as falhas nem sempre vêm de quem se espera e sim, de quem as detesta.

 

Após o almoço, Joãozinho foi brincar. De tarde, na sagrada hora do dever de casa, o menino retirou um papel do meio do livro e fez uma pergunta à sua mãe: “Mãe, o que é sexo?”.

 

O quê?! Era isso mesmo?! Será que entendemos direito?! Não pode ser! Uma criança de seis anos já curiosa por um assunto, que segundo o tabu, é impróprio para essa idade?! Mas não, a pergunta foi em alto e bom som: “Mãe, o que é sexo?”. Aquilo foi um choque. Como o pai do menino estava trabalhando, a “bomba” ficou para a mãe resolver.

 

Indecisa se explicava ou não, a mãe de Joãozinho finalmente decidiu. Quis ser liberal. Afinal, segundo ela, mais cedo ou mais tarde, o menino saberia de qualquer jeito.

 

Uma regressão digna de um centro espírita. Desde a sementinha no passarinho do papai que encontra o ninho da mamãe até o dia que chegou aqui. Nada de cegonhas, de pé de alface, ou de qualquer outra história que não funciona mais hoje em dia. O correto é ser uma mãe despojada, moderna, sem tabus. Isso é ser uma mãe do século XXI.

 

Depois da explicação, Joãzinho simplesmente perguntou: “Tá mãe, eu entendi. Mas aqui na ficha da escola eu coloco o quê? Masculino ou feminino?”

 

Crônica: Vale a pena reclamar?

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 06 08 por guiroque

foto: http://www.nadgenkai.blogger.com.br/chato.JPG

Já diz o velho ditado: “Rapadura é doce, mas não é mole não”. E isso se aplica perfeitamente no dia a dia.

Levantar cedo, sair de casa quando ainda está escuro, chegar na estação de metrô e ter que caber no vagão, agüentar as paradas que o maquinista faz entre as estações, lutar para desembarcar, entrar em um ônibus super- lotado, se equilibrar com cadernos, mochila, livros. É não é fácil. Isso porque não mencionei que muitos vão trabalhar e quando saem dos serviços cansados, exaustos e ansiosos por uma cama, ainda têm que enfrentar o mesmo drama da manhã para ir estudar.

Mas lembre-se: “Pior do que está sempre pode ficar!”. Que pessimismo não é? Mas você verá que é só o começo.

Depois dessa jornada de ida e volta aos compromissos diários, ainda temos na nossa vida aqueles revoltados com o sistema que só sabem reclamar, reclamar, reclamar, mas nem sequer propõem medidas para tentar solucionar os problemas. Legal isso não?!

Pois é. Claro que a situação não está fácil. Mas ficar reclamando não adianta. Ao contrário, procure se distrair! Eu sei que é difícil em momentos como aqueles, mas ao menos tente. Leve seu rádio, um fone de ouvido e curta sua música. Leia um livro. Faça cruzadinhas para relaxar (é excelente, eu indico). Não desperdice seu tempo reclamando. O prejudicado será você!

Escrevo esse post, pois tenho notado uma enorme quantidade de reclamações em outros blogs. Mas criticar é muito simples e fácil. O difícil é propor soluções válidas. Portanto, ao invés de ser um “mala sem alça” (porque é assim que os “revoltadinhos” são chamados) procure relaxar! Dê um sorriso, peça licença quando for desembarcar do metrô, respeite as pessoas. Você verá que, pouco a pouco, tudo vai se tornando mais fácil.

Crônica: A terrinha!

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 06 06 08 por guiroque

 

Os portugueses são vítimas constantes de piadas de mau gosto com sua “altíssima” inteligência. Como sou descendente de português (meu pai é português e claro, minha família paterna também), ouço essas anedotas sobre minha origem. Minha mãe é a primeira a me avacalhar (porque ela é paranaense e para me provocar, me humilha sem parar!). Ela diz “Ô raça viu!”, “Quanta burrice!”, “Nunca vi tanta idiotice junta!” e por aí vai.

 

Mas será que há um bom motivo para toda essa ‘adoração’ aos portugueses?

 

Acho que sim. É que realmente (para a alegria geral da nação!), os bichinhos são um pouco devagar mesmo. Confesso! São inteligentíssimos com contas, administração, dinheiro (é… não é à toa que o Brasil está como está. Resultado desde a exploração na colônia!), mas… Eita!… São tão devagar para as coisas do dia a dia .

 

Uma vez, me lembro perfeitamente, meu avô honrou a fama dos lusitanos. Foi assim: Estava caindo um pé d’água, daqueles fortes mesmo, com ventania até! Minha mãe e eu voltávamos do mercado de carro, ela correu até a garagem (que é coberta! Preste atenção: que é coberta!), abriu o portão rapidamente e guardou o carro.

 

Ficamos dentro do automóvel para esperar a chuva parar. Como para fechar o portão teríamos que sair fora da cobertura, ele ficou aberto, não tinha perigo pois com a chuva que estava, nem bandido queria sair de casa. Mas, meu avô, para nos surpreender, apareceu do nada na rua. E o esperto (coitado), viu o portão aberto e não entrou pela garagem. Ele, sem guarda chuva, lutou com a chave e com as rajadas de vento para abrir o portãozinho. Isso mesmo! Vocês leram direito! Com a garagem aberta e coberta ele entrou pelo outro portão, que estava trancado, no meio de uma chuva de derrubar galhos de árvore.

 

Eita vô! Que mancada!

 

Pois é… Depois desse dia é que entendi o porquê da “adoração” da minha mãe por nós, os portugueses e seus descendentes. E o pior é que ela tem razão!

 

Mas minha família é muito espirituosa e nem liga para isso! Como diz minha avó quando alguém dá tchau para ela: “Vai t’embora meu filho!”, “Avia-te daqui com Deus!”.

 

E agora? As palavras de vovó foram uma forma carinhosa de dizer tchau ou foi um curto e grosso: “Cai fora!”?!

 

Essa terrinha…

 

Crônica: Umas antíteses…

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 05 06 08 por guiroque

 

foto: http://pedacosdemim.blog.simplesnet.pt/archive

Sempre estudando e trabalhando? Sempre fazendo as coisas certas? Sempre fazendo de tudo para agradar os outros? Sempre se comportando de maneira exemplar?

Será que vale a pena tudo isso?

 

Para alguns pode ser que sim. Para muitos não, pois para eles o importante é ser feliz, não importa a maneira.

 

E agora? O que fazer?

 

Dizem que a “idiotice”, às vezes, é a chave para a felicidade. Mas também dizem que levar uma vida exemplar é o caminho do sucesso. E agora? Que confuso!

 

É… coisas da vida.

 

Crônica: Vamos invocar nossos ascendentes?

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 04 06 08 por guiroque

 

Sabemos que existe um preconceito muito grande com as religiões. Miguel, muito conhecido pelos seus comentários de mau gosto com religião e pela sua prepotência e descrença total, teve uma experiência inesquecível. Mas, antes de relatar o caso, vamos saber um pouco sobre ele.

 

Miguel era do tipo que não acreditava em nada. Até então tudo bem, opção dele, mas, ele adorava fazer piadas de mau gosto com a religião alheia. Dizia que os Evangélicos (como a maioria das pessoas chamam os Protestantes) eram chatos e retardados, pois gritavam demais em seus cultos; os Católicos eram adoradores de santos do pau oco; os Espiritas Kardecistas eram uns imbecis, pois segundo ele não existe vida após a morte; os Mulçumanos não prestavam e os Budistas eram praticantes incessantes de Ioga, nada mais que isso. Bom, como percebemos nada escapava da língua ferina de Miguel.

 

Certo dia, não sei se por castigo ou não, Miguel perdeu as pessoas que ele mais amava: seus pais. Os dois sofreram um acidente de automóvel e morreram carbonizados. Sozinho no mundo, pois Miguel não era casado e nem tinha filhos (afinal, quem suportaria uma pessoa como ele? Creio que ninguém!), ele viveu atormentado com pesadelos com a morte de seus pais. Depois de um tempo começou a sentir vultos passando pela casa à noite, de madrugada. Às vezes levantava de noite para beber um copo d’água ou ir ao banheiro e ouvia uns ruídos estranhos, uns gemidos de dor. Em seguida o mais desesperador: começou a ver o corpo carbonizado de seus pais andando pela casa, pedindo ajuda, gritando seu nome, correndo em sua direção.

 

Apavorado, pois não entendia nada. Miguel resolveu procurar um psicólogo. Acreditava que era só uma fase, pois estava ainda muito sentido pela morte dos pais. O psicólogo, depois de ouvir o relato de Miguel, preocupado com a situação, o encaminhou para um especialista, um psiquiatra. Marcada a consulta com o médico, Miguel recebeu uma receita para alguns remédios de controle mental.

 

Infelizmente, nada adiantou. Os pesadelos continuaram, as visões também, era um sem parar de medo, de aflição, de desespero, de gritos. A noite chegava e o medo a acompanhava. Os vizinhos, que não suportavam a presença de Miguel, pois ele não respeitava ninguém, ouviam todas as noites os gritos de desespero do coitado, que cada vez mais piorava. Após um tempo, além dos pesadelos e visões com o corpo queimado de seus pais, Miguel começou a sonhar e ver os seus parentes já falecidos. Seu primo que morrera afogado e só foi encontrado morto dois meses depois aparecia para ele gritando seu nome, desesperado, com o corpo descascando, a pele pálida e transparente se soltando, caindo no chão, os olhos fundos. Era horrível. Apavorante. Sua avó, que morrera envenenada pelo próprio marido aparecia para ele vomitando incessantemente, as mãos finas e enrugadas estavam em estado de putrefação, o andar arrastado e os gemidos da velha o apavoravam.

 

Para onde quer que olhava, Miguel via poças de sangue, secreções, vísceras. Era tudo muito desesperador e asqueroso. Ele já se encontrava entre o limite da loucura e da razão. Quando estava acordado via os seus familiares correndo em sua direção e gritando seu nome. Se dormia, os pesadelos o atormentavam e o assustavam.

 

Foi triste a decadência de Miguel. O desespero e o medo constante o levaram ao suicídio. O rumor que percorria pelo bairro é que tudo o que aconteceu foi um castigo, pois Miguel não respeitava religião alguma e se comportava de maneira prepotente e arrogante com as pessoas.

 

Foi um castigo pelo seu comportamento? Por que castigá-lo dessa forma? Ou não, tudo não passou de problemas psicológicos? O que houve com ele? Infelizmente, isso não posso responder! Fica a dúvida no ar.