Arquivo para Julho, 2008

Eita nóis!

Postado em Coisas bem legais... em 23 07 08 por guiroque

 

Outra vez com meus velhos e bons livros, achei isto aqui:

 

Obs.: A notícia é bem velha, mas garanto que é uma pérola inesquecível!

 

Eu vou prestar vestibular para Letras. Espero não cometer o mesmo erro!

 

TANTO FAZ

 

“Edmar Bacha tirou de letra o exame para professor titular da UFRJ. Só tropeçou ao falar “graus adicional”. Percebeu o erro e corrigiu para “Grais adicionais”. Ficou por isso. O exame não era mesmo de português.”

 

(Folha de S. Paulo, 29/6/93, Painel)

Cuidado com os morangos!

Postado em Coisas bem legais... em 23 07 08 por guiroque

 

Achei mais este texto aqui! Ainda bem que nunca gostei de morangos…

 

OS MORANGOS

 

A vizinha espiou por cima do muro.

 

- Bom dia, seu Agenor.

 

- Bom dia.

 

- Que lindos estão estes morangos, que maravilha.

 

- O senhor não colhe, seu Agenor? Estão no ponto.

 

- Não gosto de morangos.

 

- Que pena, aqui em casa somos todos loucos por morangos. As crianças então nem se diga. Se não colher vão apodrecer no pé, uma judiação.

 

- É.

 

- Se o senhor não se incomodasse eu colhia um pouco. Já que o senhor não gosta de morangos.

 

- Com licença, preciso pegar o ponto na repartição.

 

- À vontade seu Agenor. E os morangos?

 

- Não prestam para comer. Têm gosto de terra.

 

- Pena, tão lindos!

 

Saiu pra repartição. Voltou à noite. O luar batia em cheio no canteiro de morangos. Acercou-se em silêncio. Estavam bonitos mesmo. De dar água na boca. Pena que não pudesse comê-los.

 

Suspirou fundo.

 

Mariana, tão linda. Linda como uma flor. Mas tão desleixada, tão preguiçosa. Comida malfeita, roupa por lavar, pratos gordurosos. E aquele gênio! Sempre descontente, exigindo tudo o que não podia lhe dar, espezinhando-o diariamente pelo seu magro ordenado.

 

Fora realmente uma gentil idéia plantar os morangos depois que a enterrara no jardim.

 

(Giselda Laporta Nicolelis)

Igual a minha vó!

Postado em Coisas bem legais... em 12 07 08 por guiroque

 

foto: http://www.your-soul.com/archives/velha-balanco.gif

 

Este aqui me lembrou minha vó. Que maldade!

 

A LÍNGUA DO NHEM

 

Havia uma velhinha

que andava aborrecida

pois dava a sua vida

para conversar com alguém.

 

E estava sempre em casa

a boa da velhinha,

resmungando sozinha:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

 

                                                  (Cecília Meireles)

Gostei disso!

Postado em Coisas bem legais... em 12 07 08 por guiroque

 

Eu e minha mania de revirar livros velhos que ficam amontoados em cima do guarda-roupa. Esse é muito bom! Acho que vou fazer a mesma coisa com a minha professora de gramática!

 

O ASSASSINO ERA O ESCRIBA

 

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,

regular como um paradigma da 1ª. conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,

ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito

assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,

conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

 

(Paulo Leminski)

Um poeminha natureba!

Postado em Uns poemas... em 11 07 08 por guiroque

 

foto: http://www.sitioportaldojaguari.com.br/fotos_sitio/foto3.jpg

 

Sombra,

Campo,

Água.

 

Um dia de sol,

O cheiro do mato,

Uma lagoa esperando a gente.

 

Tudo isso é uma beleza!

Como é bom ter a natureza!

                                         

                             (Guilherme Roque)

Sempre gostei das tirinhas da Mafalda!

Postado em Coisas bem legais... em 11 07 08 por guiroque

História: Meu pesadelo.

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 07 08 por guiroque

foto: http://larissalaira.blogspot.com/2007_05_20_archive.html

 

Aquele rosto! Tenho certeza! É ele! Lembro-me como se fosse hoje daquele maldito dia!

 

Há quinze anos…

 

Ia viajar para casa, fiquei três anos sem ver minha família. Minha mãe, com o dinheiro da indenização pela morte de meu pai, financiou minha estadia durante esse tempo em uma república próxima à Universidade onde me graduei.

 

Estava ansioso para ver minha família. Entretanto, hora infeliz a que resolvi voltar. Tudo começou naquela estação rodoviária. Minha passagem tinha sido comprada para o último horário, gostava de viajar à noite, me sentia melhor, parecia que passaria mais rápido e logo chegaria ao meu destino.

 

Antes de embarcar no ônibus decidi ir à lanchonete da estação e comprar algo para levar. Por que fui fazer isso? O pior erro da minha vida.

 

Quando estava a caminho, um sujeito pálido, magro como um esqueleto, os olhos fundos e negros e com o corpo todo envolto em um sobretudo preto esbarrou em mim e derrubou o copo de café na minha roupa. Que azar! E agora? Faltava menos de cinco minutos para o embarque e tinha que me trocar de roupa. Como resultado, perdi o ônibus.

 

Tive que dormir em um hotel desses de periferia e aguardar o dia seguinte para poder trocar minha passagem. Quando estava na fila do hotel para pegar as chaves do quarto onde me instalaria durante a noite, aquele mesmo homem que esbarrou em mim e derrubou o café me olhava atentamente, a impressão que tive era que ele me seguia com o olhar.

 

Era apavorante, parecia uma criatura ao invés de um humano. Aquele rosto… Nunca vou esquecer, somente o rosto era visível, e ainda assim era branco, chegando a parecer um fantasma, o resto do corpo, como ele usava um sobretudo escuro, parecia flutuar ao invés de andar. Um demônio! Era isso o que ele parecia!

 

Decidi me acalmar e, claro, trancar a porta do quarto. Pensei que tudo se resolveria no dia seguinte e logo estaria em casa. Me enganei! Meu pior pesadelo só estava por começar.

 

Não conseguia dormir, o estalar do relógio era a única coisa que ouvia. Virava de um lado, virava do outro, e nada do sono vir. Decidi me levantar e sentar-me próximo a janela para acender um cigarro, afinal, esse vício era a única coisa que me acalmava.

 

De repente, lá estava ele. Do lado de fora, olhando em direção ao meu quarto incessantemente, e quando me viu soltou um sorriso ardiloso, maléfico. Aquilo foi assustador! Imediatamente fechei as cortinas e, apavorado, acendi a luz. Quando olhei de novo na janela ele havia sumido.

 

Dormi. Não sei como, mas depois daquilo dormi. No dia seguinte, quando acordei e fui à rodoviária para tentar trocar o bilhete, uma multidão de pessoas havia tomado conta daquele espaço, estava impossível andar por ali, vi também repórteres transitando em tudo quanto era lado. O que diabos estava acontecendo ali?

 

Um guarda me informou que o último ônibus que partiu ontem sofreu um acidente no meio da estrada e que todos os passageiros e o motorista morreram carbonizados.

 

Um arrepio me percorreu a espinha, foi uma sensação horrível. Fiquei apavorado, eu ia embarcar naquele ônibus! Meu Deus! O que estava acontecendo?

 

Quando me recuperei do choque, pelo menos naquela hora, olhei para frente e encostado na pilastra estava ele, estático e rindo, gargalhando. Aquele mesmo homem que me vigiou à noite estava ali, parecendo se divertir com meu medo. Sua expressão mudara completamente. O olhar vago e fundo deu espaço a olhos cruéis, impiedosos, satânicos. Sua gargalhada me assustava, era um riso irônico, sarcástico, cruel.

 

Decidi andar depressa. Ele veio em minha direção e ao passar do meu lado simplesmente sussurrou: “Não era sua hora. A próxima vez que nos vermos você virá comigo”.

 

Depois disso, não há uma noite em que consigo dormir. Todas as noites a lembrança daquele riso e daqueles olhos me vêem a mente. Tenho estado perturbado durante esses quinze anos. Morrendo de medo de ver aquele sujeito novamente na minha frente.

 

Nada adianta! Milhares de vezes já fui à igreja, viajei novamente e nada. É horrível, tenho medo. Medo de ver aquele desgraçado novamente e saber que meu fim está próximo.

 

Pois hoje ele voltou. Dessa vez pior. Ria incessantemente de mim! Aquele riso me atormentou durante quinze anos e agora ele estava lá de novo, gargalhando e me vigiando. Novamente, quando acordei durante a noite para beber água, avisto pela janela da cozinha e lá esta ele no fundo da casa me observando.

 

Meu desespero aumentou e meu medo também! Será meu fim?! E agora?!

 

Ele cada dia que passa me atormenta mais e mais. Estou ficando louco! Não agüento mais! É um demônio! Só pode ser isso!

 

Aquele rosto é inconfundível, inconfundível!… Chegou a minha hora…

Crônica: Aproveite cada instante!

Postado em Crônicas e umas historinhas aí... em 11 07 08 por guiroque

 

Mais um dia, mais uma vez. Lá estava minha família toda reunida naqueles almoços de domingo. Era uma beleza. No domingo era uma festa só.

 

Coca-cola à vontade, podíamos repetir a lasanha, umas duas taças de sorvete, depois uma partidinha de vídeo- game, e o que não podia faltar: o joguinho de dominó entre os mais velhos da casa.

 

A alegria era realmente no domingo. Tinha manhã que íamos aos parques, no Zoológico, no Simba–Safári, nos Museus, no sítio do meu tio no Arujá. Que saudade daquela época!

 

Ano após ano a alegria era a mesma. Também tinha os natais em que visitávamos os parentes e levávamos a tradicional combinação: Panettone com uma garrafa de Sidra. Tudo bem que toda a parentada dava e recebia Panettone e Sidra, mas o que realmente valia era o espírito de família.

 

Pena que tudo isso foi se acabando. Uns cresceram, uns morreram, outros foram morar longe, uns brigaram, não é mais a mesma coisa. O cheiro das festas, o gosto, a expectativa… Tudo agora é diferente.

 

É… Os momentos mais felizes são aqueles que não voltam mais!

Mexendo em uns livros…

Postado em Coisas bem legais... em 09 07 08 por guiroque

 

foto: capa de ’O livro da avó’ de Luís Silva

 

Revirando alguns livros velhos, encontrei este texto. Eu gostei.

 

A AVÓ

 

A avó tem cabelos muito brancos, curtos e lisos. Pouco cabelo. A pele é toda enrugada. Parece que já está virando árvore. O corpo também é pequeno. Ela toda parece um pássaro. Usa um xale de renda na cabeça e nas mãos carrega sempre um livro sagrado e cheiro de cebola. Tem passos miúdos. Às vezes parece orvalho. Já está quase desaparecendo, dá pra notar. Os olhos pousados em coisas distantes, invisíveis navios, alguma terra do lado de lá?

 

                                              (Roseana K. Murray, Retratos)

Tudo vai passando…

Postado em Uns poemas... em 09 07 08 por guiroque

foto: http://devocionalcristao.blogspot.com/2008_03_01_archive.html

 

Passa a hora,

Passa o ano,

Passa a vida.

 

Aqui hoje,

Lá amanhã,

Em baixo da terra depois.

 

Você já foi jovem,

Hoje fica na sua cadeira de balanço,

Para você ver como a vida passa.

 

E qual é o destino comum a todos nós?

A morte!

Não adianta, você terá o mesmo fim que eu.

                                    

                                 (Guilherme Roque)